O contributo da força de gendarmerie europeia na gestão de crises

Autores

  • Ani Davidova Mestranda em Segurança e Justiça na Universidade Lusíada

Resumo

No período que encerra o pós-Guerra Fria surgiu a necessidade de pensar uma renovada conceção de segurança, face à emergência de novas ameaças, de cariz transnacional e não exclusivamente militar. O clássico binómio das dimensões da segurança – interna e externa – acabou por tornar-se obsoleto. Em paralelo, a proliferação dos conflitos intraestatais contribuiu para o desenvolvimento de uma abordagem de complementaridade, entre as vertentes militar e civil, da gestão de crises.
O principal objetivo do presente trabalho é, neste sentido, o de analisar as potencialidades das forças de tipo gendarmerie – especialmente as da Força de Gendarmerie Europeia – no preenchimento do security gap, na missão de paz operacionalizada pela União Europeia em 2014 na República Centro Africana.
A investigação permitiu concluir que os atributos característicos da Força de Gendarmerie Europeia representam um claro valor acrescentado face à atuação das forças policiais e das forças militares, essencialmente no preenchimento do security gap. Apesar da reduzida área de atuação definida pelo mandato da missão, a presença europeia na região contribuiu fortemente para assegurar a estabilização de uma área urbana fundamental da capital, evidenciando a proeminente interoperabilidade e capacidade exemplar da Força de Genderamerie Europeia na construção de relações de confiança mútua com os civis nacionais. A análise permitiu observar a sobreposição entre a missão da União e a diminuição considerável das ameaças à segurança do Estado, bem como do sentimento de insegurança percecionado pelos nacionais.

Palavras-chave:

Segurança, Gestão de crises, Security gap, Força de Gendarmerie europeia, República Centro Africana

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Publicado

2021-01-22

Como Citar

Davidova, A. (2021). O contributo da força de gendarmerie europeia na gestão de crises. Lusíada. Política Internacional E Segurança, (19-20), 95–115. Obtido de http://revistas-prod.lis.ulusiada.pt/index.php/lpis/article/view/2977

Edição

Secção

Artigos